Esse não é um texto jornalístico com as triviais datas, lançamentos, parcerias, etc. Esse texto fala de paixão mesmo, de uma coisa que pulsa ardente como a voz de fogarel e vento da Cássia. E a voz de mar, e a voz de pétala. Aquele alvoroço do Rock and Rio, em que Cássia teve orgasmos múltiplos, me fez ascender um jovem - na época - platônico por aquela figura esquisita e eu, esquisito, me vi naquela tempestade e mundarel de gente alucinada por Cássia. A sua voz deixa marcas, tatua o corpo, a alma, o rebuliço, a libido e algum cigarro aceso que é pra rimar com rascância e beleza. "O segundo sol", "Malandragem", "Top Top", "Blues da Piedade", a gravação do Renato Russo: sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher. Lembro uma canção em que ela soa: ""é que eu não amo ninguém, e é só amor que eu respiro..."
Cássia era a liberdade encarnada, selvagem, mítica, floral e quente. O que eu queria mesmo ser é a Cássia Eller...
Essa é uma declaração de amor, pra nossa eterna Cássia, que na primeira vez que fez um violão e voz numa churrascaria de Brasília foi demitida pelo gerente porque o repertório não combinava com o ambiente.
Nossa diva futuramente faria seu céu e inferno e arrastou multidões em frenesi, mesmo com seu jeito reclusa mas - nos palcos - quando soltava a voz fazia estremecer qualquer brutamontes. Era um ápice, um acontecimento, um fenômeno, de fato. Cássia, valeu por tudo. Por tantos momentos em que ouvi, me vi e bateu forte a vibe.
Fica a fenomenal "Eu queria ser Cássia Eller" na voz gênia indomável da intérprete.